Será que meu inglês é suficiente?

8 de Janeiro de 2017 4 minutos para ler

Esta foi uma das perguntas que me fiz durante muito tempo antes de chegar aqui na Irlanda. Sempre fiquei preocupado que meu nível de inglês não seria suficiente, principalmente depois de falar com um nativo pelo telefone. Caramba, vocês tem noção do quanto é difícil entender um irlandês falando? Agora imagina por telefone então. Mas enfim, tomei todas as medidas possíveis e agora estou aqui para compartilhar um pouco do que aprendi neste um mês de vida na Irlanda.

O inglês talvez seja a maior barreira para alguém que busca trabalhar no exterior.

E de fato, tornar-se fluente em um novo idioma não é uma tarefa fácil. Dizem que aprender um terceiro idioma não é tão difícil quanto o segundo, mas vamos nos concentrar aqui apenas no segundo idioma.

Segundo o dicionário, a Fluência é definida como: espontâneo, natural, que se produz com facilidade.

Se eu levar ao pé da letra, não posso dizer que sou fluente em inglês. Não me considero ruim, mas está longe de ser natural.

Mas eu gosto de ver esta questão da fluência por outro ângulo. Se uma pessoa consegue entender o que os outros falam e consegue se comunicar de forma que os outros a entendam, pelo menos para mim, isto já é fluência. A fluência definida pelo dicionário é algo que se leva muito tempo, normalmente conquistada apenas com imersão cultural e com a prática constante.

Mas mesmo me considerando fluente (através de minha definição), continuava preocupado se isto seria suficiente ou não.

O inglês do francês, do polonês, do italiano, do grego, enfim, o inglês do europeu é igual ao seu!

A conclusão que cheguei neste um mês de trabalho é que eu não sou o único estrangeiro aqui. Parece obvio, mas demora um pouco para cair a ficha. Mais da metade dos meus colegas de trabalho nasceram em um país com seu próprio idioma, diferente do inglês. Então assim como eu, cada um tem suas dificuldades.

Na união européia é muito fácil você se mudar de um país para outro, então é comum haver está miscigenação de culturas e consequentemente de idiomas e sotaques.

Não adianta se fazer de coitado e soltar um.

Ah, pega level comigo, inglês não é meu idioma materno.

Se vira! Vai praticando, pois está é a realidade de muita gente aqui, você é só mais um.

A diferença é que a maioria deles já está aqui a 2, 3 ou mais anos. Ou seja, através da prática e do constante contato com o idioma sua fluência foi se aperfeiçoando.

Ninguém vai rir, te criticar ou fazer piada quando você falar algo errado. Os europeus estão acostumados com toda esta diversidade de sotaques e níveis. Se você soltar um I want eat now eles entenderão, da mesma forma que você entenderia um estrangeiro falando Eu comer agora.

O sotaque da língua nativa de alguns países é muito forte e isto geralmente influencia na hora de falar o inglês. Felizmente o Brasileiro tem uma vantagem neste ponto, pois normalmente nosso sotaque em inglês não é tão carregado como o do indiano, espanhol ou de um búlgaro, por exemplo. Em geral, os irlandeses dizem que o sotaque Brasileiro é fácil de entender e elogiam bastante.

No post Dicas para conseguir um emprego no exterior estando no Brasil eu deixei umas dicas de como praticar seu inglês. Dá uma olhada lá, pois foi exatamente isto que fiz para deixar meu inglês na ponta da lingua.

Em resumo, se você estiver na mesma situação que eu, onde você consegue entender e ser entendido, mas continua com receio, a sugestão é: arrisque, faça as entrevistas e deixe que o recrutador defina se seu inglês é suficiente ou não. O que posso adiantar é que, a não ser que você tenha um inglês muito básico, ninguém irá se importar com seu sotaque e erros desde que suas habilidades interpessoais, experência profissional e conhecimento técnico atendam aos requisitos da vaga. A fluência em um segundo idioma só vem depois de muito tempo, e eles sabem disto.

Agora que estou mais confortável com o inglês, é hora de partir para o terceiro idioma e ver se estas pesquisas estão certas.

Danke für deinen Besuch.

Tschüss und bis bald! 

Este post faz parte da série Do Brasil para a Irlanda.