Pedal da Mari: O manso é para os bravos

3 de Maio de 2015 3 minutos para ler

Dia 1 de Maio de 2015, feriado nacional em homenagem aos trabalhadores. Uma excelente oportunidade para ficar em casa e fazer aquilo que nunca temos tempo: nada.

Só que não foi bem assim para mais de 300 bravos ciclistas. Para nós este dia foi marcado por mais um grande desafio, pois aconteceu aqui em Jaraguá do Sul a terceira edição do pedal de cicloturismo conhecido como “Pedal da Mari: O manso é para os bravos”.

O manso é uma serra de estrada de chão que liga os municípios de Jaraguá do Sul e Schroeder à cidade de Campo Alegre. Mas de manso só tem o nome mesmo, pois a subida é ardua, sendo um verdadeiro teste de resistência.

Saimos de 100m de altitude com o primeiro objetivo sendo o restaurante Rio Manso que fica a aproximadamente 500m acima de onde estávamos. Estava na companhia dos amigos Jedson e Marcos, ambos de Joinville, o que ajudou a tornar a subida menos dolorosa, pois pudemos ir conversando durante a longa sessão de tortura. Pedalávamos por muito tempo e nada de avistarmos o tal restaurante. Foi mais de 1 hora pedalando morro acima a uma velocidade que não passava de 8km/h. Enfim chegávamos à um trecho mais plano e que por fim nos levou à entrada do restaurante.

Acontece que o sofrimento ainda não havia acabado, pois o trajeto completo do desafio era composto de mais 15km de subida até o topo da serra. Pensei umas 10 vezes se eu continuava subindo ou ficava no restaurante, pois neste momento os participantes estavam se dividindo entre os que iriam continuar subindo e os que ficariam por ali mesmo.

Enquanto não decidia se iria ou não, meu companheiro do Audax 200km Floripa 2014, Anderson Belini, havia recém chego ao local onde eu estava. Parou para tirar o corta vento e se preparou para subir. Não pensei duas vezes e decidi companhá-lo.

O Anderson é uma pessoa SENSACIONAL, de grande coração, humilde e muito carismático. Pedalar com ele é sempre uma oportunidade de aprendizado. O cara é um monstro na hora de comer e isto é que deve dar todar a energia e força que ele tem para pedalar. Ele veio de Joinville pedalando com um grupo e ainda resolveu ir até o topo da serra. Como ainda teria que voltar pedalando, o trajeto total dele deve ter dado uns 180km, incluindo uma escalada de montanha. É mole? Transformou uma brincadeira em um Audax Terra-Asfalto.

O topo do manso ficava a 400m de onde estávamos, o que resultou em um altitude máxima de mais de 1000m, tornando-se assim a maior elevação que já registrei até esta data. Eu sabia que a subida seria dura, mas os primeiros quilômetros me enganaram, pois estava muito fácil, eram poucas subidas e havia vários trechos planos. Mas não posso falar o mesmo dos últimos 5km, pois aqui foi onde tivemos que colocar as pernas para trabalhar. Foram grandes paredões de um péssimo terreno que começaram a surgir na nossa frente. Havia muitas pedras no caminho, o que me fez começar a me preocupar com a descida, pois tenho um péssimo histórico com descidas em terreno acidentado. Lentamente a subida ia ficando para trás, dando lugar à uma vista fenomenal dos verdes campos no topo da serra.

Não demoramos muito para começar a descer em direção ao restaurante, pois estávamos morrendo de fome. Com muita cautela consegui fazer a descida sem nenhum acidente.

Almoço regado à polenta com galinha na panela e cuca de canela de sobremesa. Pensa em alguém que quase passou mal de tanto comer. Aguardamos os sorteios dos brindes (desta vez sem ganhar nenhum deles) e então começamos a segunda etapa da descida. Não imaginei que a descida seria tão demorada. Nós descíamos, depois descia mais um pouco e e nada de chegar na base do manso. Foram alguns minutos com os dedos tencionados sob o manete do freio, sempre cuidando para não me jogar no meio do mato.

Um grande abraço e parabéns aos bravos.